Saindo do Sofá #2: NBB e o agradável Paulistano x Flamengo

Não tem ocasião melhor pra sair do sofá do que uma sexta-feira à noite, não é mesmo? Ainda mais em São Paulo, onde tem opção pra todos os gostos. Mas a minha escolha não foi muito convencional, confesso: aproveitei a oportunidade para ver pela primeira vez in loco um jogo do NBB. Mas não era qualquer jogo: era o Paulistano, atual campeão nacional, recebendo o pentacampeão Flamengo. Uma experiência que me surpreendeu positivamente, tanto pelo nível da partida quanto (principalmente) pelo entretenimento.

Como um garoto de Manaus, devo dizer que só estou acostumado ao basquete competitivo pela televisão. Na minha terra, como na maior parte do Brasil, o basquete só sobrevive graças às escolas e universidades – o mesmo vale para tantos outros esportes olímpicos.

Talvez essa minha vivência me faça dar mais valor ao que vi na sexta. Veja bem, o público do NBB está crescendo, mas ainda noto um certo desdém mesmo por parte de quem ama basquete (leia-se NBA). Qualquer tipo de comparação seria pura heresia, mas posso garantir: se você não se sente motivado em dar uma chance para o NBB, tente mais uma vez.

A experiência em ver um jogo do NBB

Em geral, as partidas do NBB costumam ser super acessíveis. A entrada na maioria dos jogos (como este, por exemplo) é dois quilos de alimento não perecível. A casa do Paulistano é o ginásio Antônio Prado Júnior, bem localizado, aconchegante e com uma boa acústica.

Cheguei no ginásio uns 25 minutos antes do jogo começar, o que me permitiu também curtir (e conhecer) o entretenimento de um jogo de NBB. Na casa do Paulistano, quem comanda a festa é o Fried, o tigre que é o mascote do clube. Fried e Tigre te lembra alguma coisa? É uma homenagem ao lendário Arthur “El Tigre” Friedenreich, um dos grandes nomes da história do futebol paulista (e brasileiro).

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O mascote em si, que mais parece um primo distante do Leão do Proerd, é realmente uma atração à parte. Dança as músicas que tocam no ginásio, é parça dos jogadores, brinca com as crianças e sobe na arquibancada pra zoar a galera. Numa dessas, o Fried pegou até meu celular e fez uma selfie. O tigre pode não ser tão bom na fotografia, mas no quesito ZOEIRA, nota 10 pra esse mascote maravilhoso.

Uma selfie com o Tigre. Quem nunca?

Consegui um espaço na arquibancada do Paulistano. É uma preferência pessoal: sempre gosto de viver esse tipo de experiência junto com a torcida da casa. Quem me viu lá poderia até me confundir com um torcedor ferrenho deles.

Aliás, o Paulistano tem uma torcida bastante fiel, que realmente joga junto com o time. O Flamengo também esteve bem representado nas arquibancadas, com sua torcida puxando alguns coros que já conhecemos do futebol – porém outros mais específicos do basquete, como o “pentacampeão”. Esse duelo à parte tornou o ambiente ainda melhor.

Paulistano x Flamengo: um duelo memorável

A experiência realmente saiu melhor que a encomenda. Claro que Paulistano e Flamengo por si só carregam uma tradição, mas o jogo superou qualquer expectativa. Foi uma noite memorável para o Paulistano, com nada menos que 17 bolas convertidas de três pontos. Fazer 97 pontos em uma das melhores defesas do NBB não é para qualquer um.

Confesso que meus olhares inicialmente estavam voltados para Anderson Varejão. É alguém que pessoalmente admiro muito, principalmente pela sua trajetória na NBA. O curioso é que os dois primeiros minutos indicavam que a noite seria dele: em duas jogadas de three point play, Varejão fez os seis primeiros pontos do Flamengo e tomava conta do garrafão com facilidade.

No entanto, com três faltas ainda no primeiro tempo, infelizmente vimos pouquíssimo de Varejão em quadra. Quando foi para o banco, bem na minha frente, vi Varejão balançando a cabeça negativamente repetidas vezes, mesmo muito tempo depois das faltas.

Pra sorte do Flamengo, o substituto de Varejão, Olivinha, esteve ainda melhor. Ele foi o cestinha do jogo, com 28 pontos, além de ter abusado dos chutes de três pontos (quatro convertidos em DOZE tentativas).

Yago: o nome do jogo

A reação do Paulistano começou no segundo quarto. Uma reação liderada por um nome especial: Yago. Foram 13 pontos do armador só no Q2 (21 no jogo). Se você ainda não viu esse menino de 19 anos jogar, você certamente irá se surpreender. O menino esbanja habilidade e simplesmente incendiou o ginásio com grandes jogadas.

Yago, o nome da noite, convertendo lance livre. Olho no menino! Foto: Gabriel Seixas

Além dos 21 pontos, Yago ainda deu sete assistências e pegou seis rebotes na partida. Mas ele não brilhou sozinho, é bem verdade. O norte-americano Roquemore também foi decisivo com 24 pontos (cestinha do Paulistano) e sete rebotes. Sem contar o ala Léo Meindl, que fez um double double: 21 pontos e 10 rebotes.

Até logo, NBB

Você sabe que gostou de um lugar quando fica com vontade de voltar mais vezes, certo? Foi exatamente essa a sensação que fiquei após deixar o ginásio.

O jogo e o entretenimento prenderam tanto a atenção que o tempo realmente passou rápido. Voltei para casa com duas certezas: a primeira é que estamos bem servidos com o nosso basquete; e a segunda é que realmente não vou perder a oportunidade em acompanhar a temporada do NBB de pertinho.

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