O dilema de Vadão

A seleção brasileira fez sua melhor exibição na Copa do Mundo na vitória sobre a Itália. No entanto, mesmo quando finalmente existem motivos para comemorar, Vadão e sua comissão técnica precisam resolver um grande dilema até o início do mata-mata.

Para o jogo contra as italianas, Vadão escolheu Andressinha como substituta de Formiga, suspensa. A escolha contribuiu diretamente para elevar o nível do time. Em grande exibição, Andressinha mostrou muito critério com a bola. Também criou alternativas a partir de bolas paradas e foi voluntariosa na defesa (dois desarmes e duas interceptações).

Mas o que era para ser uma solução também pode ser visto como um problema.

Explico: Formiga retornará de suspensão. É uma boa notícia, já que sua experiência e vitalidade serão importantes nesta fase do Mundial. Entretanto, para acomodá-la de volta ao time, Andressinha teria de ser deslocada para fora de sua posição habitual. Ou, na pior das hipóteses, voltar para o banco de reservas.

Seja qual for a decisão, as consequências podem ser drásticas. Sacar Andressinha nesse contexto seria uma decisão absolutamente impopular. Mas abrir mão de Formiga seria uma decisão praticamente suicida. E se as duas jogarem juntas, Andressinha terá de atuar mais aberta, partindo da ponta para o centro, onde seu jogo já não flui da mesma maneira.

Alternativas táticas

Vadão compôs a equipe em dois diferentes sistemas nessa primeira fase: 4-4-2 quando o time precisou propor o jogo (Jamaica e Itália) e 4-1-4-1 quando deu a bola para o adversário (Austrália).

Não há como imaginar o Brasil controlando a posse contra França ou Alemanha nas oitavas, mas é preciso ressaltar que o experimento com o 4-1-4-1 foi um fracasso. Principalmente pelo fato de manter Marta longe do gol, algo que gerou inoperância no ataque e espaços vazios na defesa.

Portanto, pensando em um 4-4-2, Vadão teria que escolher entre Andressinha e Ludmila para fazer o lado não ocupado por Debinha. Andressinha até pode fazer essa função, mas sua capacidade de flutuação e recomposição está bem distante de Andressa Alves, além de suas virtudes ficarem subaproveitadas.

Além do mais, o cenário que a seleção encontrou contra a Itália não será o mesmo do mata-mata. As italianas já estavam classificadas e só se preocuparam em absorver a pressão. Na fase decisiva, outras seleções atacarão com muito mais veemência as deficiências do Brasil.

Há ainda a opção de mudar novamente o esquema, desta vez para o 4-3-3, com uma trinca Thaisa-Formiga-Andressinha. O Brasil jogou nesse sistema contra a própria França, em novembro do ano passado, inclusive com Formiga e Andressinha juntas. Mas o experimento não foi bom, e nossa seleção perdeu por 3 a 1.

E agora, Vadão?

Vadão está sendo desafiado desde o início da Copa a montar seu time sob diferentes perspectivas. Além de não ter tido Marta ou Cristiane por 90 minutos em nenhum jogo no Mundial, o treinador agora não tem Andressa Alves, a melhor jogadora do Brasil na Copa até então.

Quando finalmente o Brasil encontrou um time fluido, que conseguiu se impor contra uma seleção competitiva, Vadão dificilmente conseguirá usufruir daquilo que foi concebido. Será obrigado a se adaptar mais uma vez, e precisará ser muito feliz nessa escolha para que a seleção vislumbre possibilidades de classificação.

Ninguém acredita que o Brasil conseguirá vencer França ou Alemanha nas oitavas. Mas será mesmo que não podemos? Temos uma seleção que, apesar das limitações e dos problemas físicos, possui muita garra, capacidade de adaptação e uma camisa 10 que consegue marcar diferenças mesmo sem estar no auge de sua forma.

Mas, antes disso, Vadão possui um dilema a ser resolvido. Um dilema que pode ditar a continuidade do Brasil na Copa. Mesmo que poucos acreditem que isto seja possível.

Agora eu quero a sua opinião! E se você fosse o técnico da seleção, qual seria o seu time para jogar o mata-mata? Deixe seu pitaco aqui embaixo nos comentários!

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