O Corinthians x Santos que ninguém viu

Ao longo deste mês, o futebol europeu liderou uma onda de recordes de público em jogos de futebol feminino. O Atlético de Madrid colocou mais de 60 mil pessoas no Wanda Metropolitano, a Juventus colocou mais de 39 mil no Allianz Stadium. Um raro momento em que as mulheres saíram do ostracismo de estádios acanhados para brilhar em grandes arenas.

O futebol brasileiro teve a chance de abraçar esse movimento. Neste 31 de março, Corinthians e Santos se enfrentariam em dose dupla. Pela semifinal do Paulista Masculino e também na abertura do Paulistão Feminino. Os dois jogos com mando do Corinthians.

Uma oportunidade perfeita para presentear as mulheres com um grande público. Mas não só isso. Corinthians e Santos são os dois melhores times femininos do país. Ofereceriam um grande espetáculo para quem estivesse presente na Arena Corinthians.

Mas nada disso rolou. No fim das contas, o jogo aconteceu no Parque São Jorge, às 10h da manhã, para no máximo 500 torcedores.

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O jogo

Em campo, Corinthians e Santos confirmaram por que devem monopolizar os principais títulos da modalidade em 2019. São dois grandes trabalhos consolidados: o de Arthur Elias no Corinthians e o de Emily Lima no Santos.

O calor deu uma trégua, o que permitiu inclusive que tivéssemos um jogo mais intenso. O Corinthians perfilou com um 3-4-3, com Crivelari, Millene e Adriana à frente. No primeiro tempo, o Timão teve mais a bola, mas o Santos era mais incisivo quando chegava ao ataque.

Na volta para o segundo tempo, o Corinthians esteve mais solto e soube bloquear as virtudes do Santos. Gláucia, autora de dois gols contra o Corinthians na semana passada, foi bem controlada pelas três zagueiras corintianas durante todo o jogo. Angelina, a engrenagem da saída de bola do Peixe, sofreu um bom trabalho de pressão de Millene.

Sem saída, o Santos viu as corintianas abrirem o placar numa cabeçada de Adriana, após cruzamento de Juliete. Craque do Brasileirão no ano passado, Adriana foi uma das melhores em campo, principalmente pelo seu trabalho defensivo enquanto o Corinthians sofria para sustentar a vantagem.

Mas o Santos passou a encontrar mais espaços, principalmente pela direita, com o vigor físico de Maria. Foi por ali que o Peixe igualou a partida, com a própria Maria.

Santistas comemoram o gol de empate. Foto: Caroline Oliveira
Santistas comemoram o gol de empate. Foto: Caroline Oliveira

Quebrando o tabu

Para as corintianas, o Santos já estava engasgado. No mesmo Parque São Jorge, elas já haviam sido derrotadas pelas santistas na semana passada. E no ano passado, foi exatamente o Santos que venceu o Corinthians na final do Paulistão. O filme caminhava para se repetir mais uma vez.

Mas no sufoco, depois dos 40 minutos, o Corinthians conseguiu a vitória. Victória Albuquerque, uma das novidades do Corinthians para 2019, marcou um belo gol de falta: 2 a 1.

Ainda sobrou tempo para uma linda história. Gabi Nunes, que passou mais de um ano tratando duas lesões de ligamento no mesmo joelho, fez seu primeiro gol desde o retorno aos gramados. Não havia maneira melhor de consolidar tamanha superação. 3 a 1 e vitória do Timão.

 

A emoção de Gabi Nunes após o gol. Foto: Divulgação/Corinthians
A emoção de Gabi Nunes após o gol. Foto: Divulgação/Corinthians
Corintianas fazem roda após a vitória na Fazendinha. Foto: Caroline Oliveira

Em instantes, os times masculinos de Corinthians e Santos jogarão diante de uma lotada Arena Corinthians, com transmissão em rede nacional. Uma festa que poderia ter sido compartilhada com as mulheres, mas ninguém se importou com isso. Itaquera teria adorado ver o que poucos viram hoje cedo. Tanto pela qualidade do espetáculo, quanto pelo resultado final. Não aprendemos com o exemplo do Velho Continente, mas há tempo (e esperança) para isso.

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