Gerson no Flamengo: uma dúvida de 50 milhões

Gerson chega ao Flamengo com o status de jogador brasileiro mais caro da história a ser comprado por um clube nacional. Com apenas 22 anos, o carioca de Belford Roxo é tecnicamente acima da média, acumula três anos de experiência no futebol europeu e colocou o Flamengo como prioridade máxima nas negociações. Parece o pacote perfeito, certo? Bem, eu não estou tão convencido disso.

Em sua chegada ao Flamengo, Jorge Jesus logo identificou um desequilíbrio no elenco: cinco primeiros volantes e praticamente nenhum segundo homem de meio-campo. A chegada de Gerson teoricamente visa preencher esta lacuna. É aí que está o problema.

Em três anos de Itália, Gerson teve dificuldades em se adaptar a um alto nível de exigência em termos táticos. Ainda assim, na última temporada, fez 40 jogos pela (caótica) Fiorentina.

Entretanto, um enigma que persegue sua carreira jamais foi resolvido. Não se sabe em qual função é possível extrair o melhor de Gerson. Está em um limbo parecido com o de Luan, sem uma posição definida.

Quando deixou o Brasil, Gerson jogava bem mais próximo ao gol, como um meia-atacante. Na Europa, foi muitas vezes o segundo volante que o Flamengo quer. Chegou até a ser regista, uma espécie de “armador recuado”. Porém, jogando perto ou longe do gol, seu desempenho jamais justificou o investimento realizado.

Gerson no contexto do Flamengo

Gerson é um jogador privilegiado tecnicamente, com passadas largas e uma visão de jogo apurada. Por outro lado, para vingar como segundo volante na Itália, carecia de todo resto: intensidade, velocidade de raciocínio, senso de posicionamento e dinamismo.

Independentemente da posição, Gerson é um jogador que precisa de tempo e espaço para render o seu melhor. Na Itália, jamais teria essa facilidade. No Brasil, é provável que tenha em muitos momentos, já que, por diversos motivos, o jogo se desenvolve em outra velocidade por aqui. Mas e nos jogos grandes?

No rubro-negro, assim que Jorge Jesus estabelecer o seu 4-1-3-2, é provável que Gerson atue na faixa central da linha de três.

Esta figura tem grandes responsabilidades na criação, já que o primeiro volante (Cuéllar) recua para fazer a saída de três e este também volta para oferecer linhas de passe e fazer o time progredir. Porém, Gerson também precisará de intensidade para encurtar o campo na fase de recuperação. Willian Arão, menos capacitado tecnicamente, é um jogador que consegue se manter intenso durante 90 minutos.

Era possível investir melhor?

Meu ponto é que esse investimento poderia ser feito em um jogador mais próprio para a função. Veja bem, o Flamengo pensa grande e isso é um ponto positivo. Em outros tempos, o rubro-negro jamais conseguiria cobrir propostas de clubes intermediários da Europa – Genoa e Dinamo Moscou, por exemplo, tentaram a contratação de Gerson.

Porém, para o investimento que foi feito, era possível trazer alguém mais estabelecido. Por que não ir atrás de um jogador como Éver Banega, que chegou a ser cotado para ir ao futebol turco por menos do valor pago por Gerson? Em um mercado mais próximo, um jogador como Mateus Uribe, do América-MEX e companheiro de Cuéllar na Colômbia, também cairia como uma luva – ainda que seja ligeiramente mais caro.

É claro que estamos falando de negociações mais complexas, já que Gerson demonstrou desde o início a predileção em fechar com o Flamengo. Mas se o clube está elevando a régua, é possível acreditar.

A bem da verdade, o Flamengo já tinha o jogador certo para esta posição, mas não soube aproveitá-lo.

Muitos flamenguistas comemoraram a venda de Jean Lucas para o Lyon por se tratar de um grande negócio financeiro. Mas a verdade é que ele foi subaproveitado, e precisou ser emprestado ao Santos para mostrar seu talento e atrair a atenção do futebol europeu. Tudo isso sem dar qualquer retorno esportivo ao clube que o formou – e que necessitava tanto de um jogador com suas características.

Pergunta do milhão

Gerson está longe de ser um jogador comum. Mas para se estabelecer no Flamengo, precisará daquele algo mais que a torcida rubro-negra sempre cobra: muita raça e disposição.

Além disso, em um momento imediato, Gerson precisará ser a peça que o time necessita. Será que vai dar certo? É a pergunta do milhão – ou dos quase R$ 50 milhões. Não estou convencido disso. Mas adoraria estar errado. Gerson é um tipo que se tornou raro na formação brasileira, e vê-lo concretizar seu potencial seria benéfico para o nosso futebol.

E para você, Gerson foi um bom investimento por parte do Flamengo? Deixa o teu comentário aqui embaixo!

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