Geferson: da Copa América ao futebol búlgaro

Na noite desta terça-feira (2), a seleção brasileira enfrenta a Argentina pela semifinal da Copa América. Ser convocado para um torneio dessa magnitude é um privilégio para poucos. E quando você recebe essa oportunidade com apenas 16 partidas como jogador profissional, é provável que o torneio abra portas para os maiores clubes do mundo, certo? Bom, nem sempre. Geferson, que esteve com o Brasil na Copa América de 2015, é uma curiosa exceção.

Faz relativamente pouco tempo, mas se este nome soa estranho, você está perdoado. No meio de Neymar, Robinho, Philippe Coutinho e outras estrelas, o jovem lateral-esquerdo passou quase despercebido. À época, surpreendentemente, Geferson foi convocado por Dunga como substituto de Marcelo, cortado por lesão.

Quatro anos depois, Geferson hoje será um torcedor a mais pelo Brasil. No entanto, seu caminho se distanciou completamente dos ex-companheiros de amarelinha. Outrora na seleção, hoje o lateral caminha para sua terceira temporada no CSKA Sofia, da Bulgária.

Em entrevista exclusiva ao Torcedor de Sofá, Geferson relembra a convocação que marcou o ápice de sua carreira. Ele ainda jogava no Internacional, clube que o revelou. “Foi muito importante pro meu aprendizado. Parecia um sonho. De repente, eu estava do lado de jogadores que eu jogava no videogame ou que só via pela TV”, contou o baiano de Lauro de Freitas.

Ao lado dos melhores jogadores do mundo, Geferson absorveu conhecimentos e fez amizades. Alguns deles estarão no clássico de logo mais. “Aprendi muito com os mais experientes, como Thiago Silva e Miranda. E tem as amizades que ficaram. Não conhecia o [Roberto] Firmino, mas me tornei muito amigo dele lá. São pessoas que me ensinaram bastante. Pode passar o tempo que for, eu nunca vou esquecer”.

Da seleção para a Bulgária

O tempo passou, e a carreira de Geferson sofreu uma reviravolta de pouca sorte. Hoje na Bulgária, o lateral sabe que jamais conseguiu concretizar a expectativa que havia em torno dele, mas consegue lidar bem com isso. “Sempre pensei que as coisas acontecem quando têm que acontecer. Infelizmente o rendimento caiu, como acontece com muitos jogadores. Não são todos que mantêm o nível sempre elevado”, reflete.

Desde janeiro de 2018 na Bulgária, Geferson não se arrepende do rumo que tomou para a carreira. “Eu precisava respirar novos ares, conhecer novas culturas. Claro que foi uma queda ir pra um lugar não tão conhecido, mas não levo como uma derrota. Todas as vezes que caí, eu pude levantar. Estou dando mais uma volta por cima aqui no CSKA e pretendo deixar meu legado”.

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Com o time búlgaro, Geferson disputará a fase preliminar da Liga Europa a partir da próxima terça-feira (9). No elenco, ele tem a companhia de outros três brasileiros: o goleiro Busatto, ex-Grêmio; e os atacantes Henrique, ex-Atlético-MG, e Evandro, revelado no Coritiba. Há também quatro portugueses e até um búlgaro que fala português: o zagueiro Bozhidar Chorbadzhiyshi.

“Está sendo uma experiência muito boa. É um futebol diferente do Brasil, com mais força. Mas claro que, como nosso time é um dos maiores aqui, a gente propõe o jogo a todo momento, enquanto os outros ficam mais recuados”, conta o brasileiro.

Geferson quer voltar

Aos 25 anos, Geferson desconversa sobre propostas, mas não nega o desejo de voltar ao Brasil, especialmente por motivos familiares.

“Tenho um filho de dois anos e estou perdendo todo o crescimento dele. Se tivesse a oportunidade de voltar, claro que voltaria. Mas se não tiver, também sou muito feliz aqui, onde estou realizando os sonhos da minha família, do meu irmão mais novo, podendo dar uma vida melhor pra eles”.

Em contraste com o desvio inesperado na carreira, Geferson sabe que é um vencedor. O menino que trabalhou na infância como guardador de carros e empacotador conseguiu chegar onde poucos esperavam. Além disso, ele pode ver o jogo de logo mais na Copa América dizendo que já esteve lá. E isso é algo que alguém jamais pode lhe tirar.

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2 comentários em “Geferson: da Copa América ao futebol búlgaro

  • julho 2, 2019 em 9:23 pm
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    Lembro dele… Começou como uma grande promessa no Inter, mas com a desastroso ano de 2016, Geferson acabou marcado negativamente com a torcida colorada. Eu, particularmente, como torcedor do Inter, não culpo o jogador, pois penso que a gestão daquela época foi fator mais responsável pelo rebaixamento do Inter.
    Mas, isso tudo já passou, e eu fico contente pelo atleta estar bem hoje. Que consiga atingir suas metas e objetivos.

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    • julho 3, 2019 em 12:42 am
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      É verdade, Jean, acabou ficando muito marcado por aquela falha contra o Tigres. É uma pena que não tenha concretizado seu potencial na época, mas ainda tem muito chão para um dia retornar ao Brasil e reescrever sua história!

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