Djokovic, Federer e uma final épica em Wimbledon

Novak Djokovic e Roger Federer. 32 e 37 anos, respectivamente. Antes da final de Wimbledon, eles já haviam se enfrentado 48 vezes e somavam 35 conquistas de Grand Slams.

Em condições normais, é provável que hoje deveríamos estar apenas recordando os grandes momentos desta rivalidade. Mas essas duas lendas se recusam a ficar no passado. Mesmo depois de tantos capítulos memoráveis, Djokovic e Federer simplesmente foram capazes de produzir a melhor final já disputada na grama sagrada em todos os tempos.

Para não ficar na subjetividade, Nole e Roger fizeram a final de simples mais longa da história de Wimbledon: quase cinco horas de duração. Ao passo que o tênis está cada vez mais físico, Federer e Djokovic se revelam ainda mais resistentes com o passar dos anos.

A fortaleza mental de Djokovic

Um jogo do mais alto nível do início ao fim, decidido nos detalhes. Nesses pequenos detalhes, Novak Djokovic se agigantou. A fortaleza mental do sérvio é descomunal.

No último set, Roger Federer sacou para o título em 8-7 40-15. Quantos jogadores seriam capazes de reverter este quadro contra o maior de todos os tempos, que ainda tinha a torcida toda a seu favor? Só sendo também um dos melhores da história, como é Djokovic.

Uma mentalidade vencedora mesmo nos momentos mais improváveis. É por essas e outras que o sérvio parece destinado a ser, em breve, o homem com mais títulos de Slams. Djoko ainda tem quatro a menos do que Federer (20-16), mas resta saber até quando.

A última chance de Federer?

Federer já teve outras derrotas em finais muito doídas – Delpo no US Open 2008, Nadal em Wimbledon 09, etc. Mas talvez nenhuma tenha machucado tanto quanto essa.

Veja bem, já aprendemos que jamais devemos duvidar dos gigantes. Mas fica o questionamento se o suíço terá uma oportunidade melhor que a de hoje para vencer o seu torneio favorito pela última vez.

De toda forma, Federer não tem do que se envergonhar. Djokovic precisou comer grama para vencê-lo. Neste contexto, apenas uma metáfora. Mas, ao fim do jogo, Nole realmente tornou essa frase literal ao arrancar um pedaço da grama sagrada e levá-lo à boca para mastigar. Um personagem e tanto.

O tênis não será mais o mesmo sem estas lendas vivas. No entanto, com eles ainda proporcionando espetáculos desse nível, definitivamente ainda não precisamos nos preocupar com isso.

O último ato da edição 2019 de Wimbledon foi digno de sua magnitude. Um torneio que nos proporcionou histórias marcantes, desde a ascensão da adolescente Coco Gauff, passando por Murray e Serena juntos nas mistas, chegando a um Fedal memorável na semifinal e, por fim, a construção da melhor final da vida de muitos amantes do tênis.

A grama sagrada vai deixar saudade. Até 2020, Wimbledon!

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